Cauê Oliveira|Sep 30, 2026 13:31
A inflação preferida do Fed veio mais suave que o esperado.🚨
Mas isso não é o mais surpreendente.
O que gerou essa suavização foi MUDANÇA no cálculo do PCE.
Em maio eu escrevi aqui que o Fed acabaria afrouxando o target de inflação OU mudando o cálculo da métrica base.
O primeiro não ocorreu. O segundo aconteceu hoje.
O PCE de agosto saiu bem abaixo do esperado.
Cheio em 3,4% contra 3,7%, núcleo em 3,0% contra 3,3%.
Só que junto com o dado veio a revisão anual do BEA, que mudou a metodologia de três componentes e reescreveu a série inteira até 2021.
A mudança principal está em taxa de gestão de portfólio.
Pelo método antigo, o BEA deflacionava esse gasto usando o PPI do setor, que acompanha o preço dos ativos.
Na prática: se o gestor cobrava 1% sobre patrimônio e a carteira subia 20%, a receita subia 20% e isso entrava na conta como se o preço do serviço tivesse subido 20%. Sem ninguém ter aumentado taxa nenhuma.
O método novo estima a quantidade de serviço pelo emprego do setor.
As estimativas de impacto ficam entre 13 e 24 pontos-base a menos no núcleo, dependendo de quem calcula.
Hoje julho foi revisado pra baixo em 30 pontos-base no cheio e no núcleo.
Ou seja, boa parte dessa queda é mudança de régua, não desinflação.🤯
E aqui está a parte que quase ninguém vai comentar.
O dot plot de 16 de setembro projetava PCE cheio em 3,7% e núcleo em 3,4% para o fim de 2026. Essas projeções foram feitas com a régua antiga.
O Fed subiu juros duas semanas atrás usando números que hoje não existem mais.
Quando o alvo fica difícil de alcançar, mexer na régua sempre saiu mais barato que mexer na política.
O Fed acabou de reescrever o passado.
Eu só espero que você tenha prestado atenção em tudo que andei falado aqui nos últimos meses.
E que não tenha seguida narrativa de gente que acha que entende de macro.
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