Cauê Oliveira|Sep 17, 2026 10:11
Esse é talvez um dos melhores resumos da decisão do Fed ontem.
O irônico é que veio direto presidente do parlamento iraniano, que publicou o que ele chamou de "Straits Taylor Rule".
E, sinceramente, é uma das coisa mais afiadas que eu li sobre essa reunião.
Pra quem não lembra, a Regra de Taylor define o juro base alvo assim:
i = r* + π* + 1,5(π − π*) + 0,5(y − y*)
Juro neutro, meta de inflação, hiato de inflação com peso 1,5 e hiato do produto com peso 0,5.
O que ele fez foi jogar dois termos novos ali dentro:
α(SOH − SOH*) + β(BEM − BEM*)
SOH é o fluxo pelo Estreito de Ormuz. BEM é o Bab el-Mandeb.
Ou seja, ele colocou dois pontos de estrangulamento marítimo dentro da função de reação do Fed.
É piada (em nível PhD). E é uma piada tecnicamente correta, que é o que mais está incomodando.
A Regra de Taylor só funciona se o hiato de inflação responder ao instrumento. Sobe juro, esfria demanda, preço cede.
Quando boa parte do desvio vem de navio que não passa, esse termo simplesmente deixa de responder à taxa.
O Fed mexe no hiato do produto. Ele não mexe no fluxo de barris.
E o fecho do post dele é o que realmente pesa.
Ele diz que o r* parou de ser neutro porque agora carrega um prêmio de risco de chokepoint. E que quem define esse prêmio é o Irã (risos).
Enquanto isso, ontem, o Fed subiu juros por unanimidade e escreveu no comunicado que vai entregar estabilidade de preços.
Em agosto, 15 dos 40 pontos-base de alta do CPI cheio vieram de energia.
Apertar contra um componente que o instrumento não alcança tem nome em manual.
Erro de política monetária.
A conta chega no hiato do produto daqui a dois, três, quatro trimestres. E o lado da oferta segue exatamente onde estava.
O Fed do Warsh amarrou a credibilidade dele num número que não é decidido por demanda e política monetária.
Não é no Fed que você vai encontrar edge. Pelo menos não nesse momento.
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